De professor a policial

O texto abaixo relata a experiência de George L. Kirkham, professor assistente da Escola de Criminologia da Universidade da Flórida, EUA, que aceitou o desafio de se tornar um policial para, durante um período de 6 meses, conhecer a fundo o cotidiano desta profissão em que passou muitos anos estudado e criticando. Vale a pena conferir seus pré-conceitos e mudança de visão ao se deparar com a dura realidade de um agente de segurança pública.

DE PROFESSOR A POLICIAL

Como professor de Criminologia, tive problemas durante algum tempo, devido ao fato de que, seguindo a maioria daqueles que escrevem livros sobre assuntos policiais, eu nunca havia sido policial. Contudo, alguns elementos da comunidade acadêmica norte-americana, tal como eu, vimos muitas vezes erros da nossa polícia. Dos incidentes que lemos nos jornais, formamos imagens estereotipadas, como as do policial violento, racista, venal ou incorreto. O que não vemos são os milhares de dedicados agentes da polícia, homens e mulheres, lutando e resolvendo problemas difíceis para preservar nossa sociedade e tudo que nos é caro.

Muitos dos meus alunos tinham sido policiais, e eles várias vezes opunham às minhas críticas o argumento de que uma pessoa só poderia compreender o que um agente da polícia tem de suportar quando se sentisse na pele de um policial. Por fim, me decidi a aceitar o desafio. Entraria para a polícia e, assim, iria testar a exatidão daquilo que vinha ensinando. Um dos meus alunos (um jovem agente que gozava licença para freqüentar o curso, pertencente à Delegacia de Polícia de Jacksonville, Flórida) me incitou a entrar em contato com o Xerife Dale Carson e o Vice-Xerife D. K. Brown e explicar-lhes minha pretensão.

Lutando por um distintivo.

Jacksonville parecia-me o lugar ideal. Um porto marítimo e um centro industrial em crescimento acelerado. Ali ocorriam, também, manifestações dos maiores problemas sociais que afligem nossos tempos: crime, delinqüência, conflitos raciais, miséria e doenças mentais. Tinha, igualmente, a habitual favela e o bairro reservado aos negros. Sua força policial, composta por 800 elementos, era tida como uma das mais evoluídas dos Estados Unidos.

Esclareci ao Xerife Carson e ao Vice-Xerife Brown de que pretendia um lugar não como observador, mas como patrulheiro uniformizado, trabalhando em expediente integral durante um período de quatro a seis meses. Eles concordaram, mas impuseram também a condição de que eu deveria, primeiro, preencher os mesmos requisitos que qualquer outro candidato a policial, uma investigação completa do caráter, exame físico, e os mesmos programas de treinamento. Haveria outra condição com a qual concordei prontamente em nome da moral. Todos os outros agentes deviam saber quem eu era e o que estava fazendo ali. Fora disso, em nada eu me distinguiria de qualquer agente, desde o meu revólver Smith and Wesson.38 até o distintivo e o uniforme. O maior obstáculo foram as 280 horas de treinamento estabelecidas por lei.

Durante quatro meses (quatro horas por noite e cinco noites por semana), depois das tarefas de ensino teórico, eu aprendia como utilizar uma arma, como me aproximar de um edifício na escuridão, como interrogar suspeitos, investigar acidentes de trânsito e recolher impressões digitais. Por vezes, à noite, quando regressava a casa depois de horas de treinamento de luta para defesa pessoal, com os músculos cansados, pensava que estava precisando era de um exame de sanidade mental por ter-me metido naquilo. Finalmente, veio a graduação e, com ela, o que viria a ser a mais compensadora experiência da minha vida.

Patrulhando a rua.

Ao escrever este artigo, já completei mais de 100 rondas como agente iniciado, e tantas coisas aconteceram no espaço de seis meses que jamais voltarei a ser a mesma pessoa. Nunca mais esquecerei também o primeiro dia em que montei guarda defronte à porta da Delegacia de Jacksonville. Sentia-me, ao mesmo tempo, estúpido e orgulhoso no meu novo uniforme azul e com a cartucheira de couro.

A primeira experiência daquilo que eu chamo de minhas “lições de rua” aconteceu logo de imediato. Com meu colega de patrulha, fui destacado para um bar, onde havia distúrbios, no centro da zona comercial da cidade. Encontramos um bêbado robusto e turbulento que, aos gritos, se recusava a sair. Tendo adquirido certa experiência em admoestação correcional, apressei-me a tomar conta do caso. “Desculpe, amigo”, disse eu, sorridente, “não quer dar uma chegadinha aqui fora para bater um papo comigo?” O homem me encarou incrédulo, com os olhos vermelhos. Cambaleou e me deu um empurrão no ombro. Antes que eu tivesse tempo de me recuperar, chocou-se de novo comigo e, desta vez, fazendo saltar da dragona a corrente que prendia meu apito. Após breve escaramuça, conseguimos levá-lo para a radiopatrulha.

Como professor universitário, eu estava habituado a ser tratado com respeito e deferência e, de certo modo, presumia que isso iria continuar assim em minhas novas funções. Estava, porém, aprendendo que meu distintivo e uniforme, longe de me protegerem do desrespeito, muitas vezes atuavam como um imã atraindo indivíduos que odiavam o que eu representava. Confuso, olhei para meu colega, que apenas sorriu.

Teoria e prática.

Nos dias e semanas seguintes, eu iria aprender mais coisas. Como professor, sempre procurava transmitir aos meus alunos a idéia de que era errado exagerar o exercício da autoridade, tomar decisões por outras pessoas ou nos basearmos em ordens e mandatos para executar qualquer tarefa. Como agente de polícia, porém, fui muitas vezes forçado a fazer exatamente isso. Encontrei indivíduos que confundiam gentileza com fraqueza – o que se tornava um convite à violência. Também encontrei homens, mulheres e crianças que, com medo ou em situações de desespero, procuravam auxílio e conselhos no homem uniformizado.

Cheguei à conclusão de que existe um abismo entre a forma como eu, sentado calmamente no meu gabinete com ar condicionado, conversava com o ladrão ou assaltante à mão armada, e a maneira pela qual os patrulheiros lidam com esses homens – quando eles se mostram violentos, histéricos ou desesperados. Esses agressores, que anteriormente me pareciam tão inocentes, inofensivos e arrependidos depois do crime cometido, como agente de polícia, eu os encarava pela primeira vez como uma ameaça à minha segurança pessoal e a da nossa própria sociedade.

Aprendendo com o medo.

Tal como o crime, o medo deixou de ser um conceito abstrato para mim, e se tornou algo bem real, que por várias vezes senti: era a estranha impressão em meu estômago, que experimentava ao me aproximar de uma loja onde o sinal de alarme fora acionado; era uma sensação de boca seca quando, com as lâmpadas azuis acesas e a sirena do carro ligada, corríamos para atender a uma perigosa chamada onde poderia haver tiroteio.

Recordo especialmente uma dramática lição no capítulo do medo. Num sábado à noite, patrulhava com meu colega uma zona de bares mal freqüentados e casas de bilhares, quando vimos um jovem estacionar o carro em fila dupla. Dirigimo-nos para o local, e eu pedi que arrumasse devidamente o automóvel, ou então que fosse embora, ao que ele respondeu inopinadamente com insultos. Ao sairmos da radiopatrulha e nos aproximarmos do homem, a multidão exaltada começou a nos rodear. Ele continuava a nos insultar, recusando-se a retirar o carro. Então, tivemos que prendê-lo. Quando o trouxemos para a viatura da polícia, a turba nos cercou completamente. Na confusão que se seguiu, uma mulher histérica abriu meu coldre e tentou sacar meu revólver.

De súbito, eu estava lutando para salvar minha vida. Recordo a sensação de verdadeiro terror que senti ao premir o botão do armeiro na radiopatrulha onde se encontravam nossas armas longas. Até então, eu sempre tinha defendido a opinião de que não devia ser permitido aos policiais o uso de armas longas, pelo aspecto “agressivo” que denotavam, mas as circunstâncias daquele momento fizeram mudar meu ponto de vista, porque agora era minha vida que estava em risco. Senti certo amargor quando, logo na noite seguinte, voltei a ver, já em liberdade, o indivíduo que tinha provocado aquele quase motim – e mais amargurado fiquei quando ele foi julgado e, confessando-se culpado, condenaram-no a uma pena leve por “violação da ordem”.

Vítimas silenciosas.

Dentre todas as trágicas vítimas que vi durante seis meses, uma se destacou. No centro da cidade, num edifício de apartamentos, vivia um homem idoso que tinha um cão. Era motorista de ônibus aposentado. Encontrava-os quase sempre na mesma esquina, quando me dirigia para o serviço, e por vezes me acompanhavam durante alguns quarteirões.

Certa noite, fomos chamados por causa de um tiroteio numa rua perto do edifício. Quando chegamos, o velho estava estendido de costas no meio de uma grande poça de sangue. Fora atingido no peito por uma bala e, em agonia, me sussurrou que três adolescentes o tinham interceptado e lhe exigiram dinheiro. Quando viram que tinha tão pouco, dispararam e o abandonaram na rua.

Em breve, comecei a sentir os efeitos daquela tensão diária a que estava sujeito. Fiquei doente e cansado de ser ofendido e atacado por criminosos que depois seriam quase sempre julgados por juizes benevolentes e por jurados dispostos a conceder aos delinqüentes “nova oportunidade de se reintegrarem ao convívio da sociedade”. Como professor de Criminologia, eu dispunha do tempo que queria para tomar decisões difíceis. Como policial, no entanto, era forçado a fazer escolhas críticas em questão de segundos (prender ou não prender, perseguir ou não perseguir), sempre com a incômoda certeza de que outros, aqueles que tinham tempo para analisar e pensar, estariam prontos para julgar e condenar aquilo que eu fizera ou aquilo que não havia feito.

Como policial, muitas vezes fui forçado a resolver problemas humanos incomparavelmente mais difíceis do que aqueles que enfrentara para solucionar assuntos correcionais ou de sanidade mental: rixas familiares, neuroses, reações coletivas perigosas de grandes multidões, criminosos. Até então, estivera afastado de toda espécie de miséria humana que faz parte do dia a dia da vida de um policial.

Bondade em uniforme.

Freqüentemente, fiquei espantado com os sentimentos de humanidade e compaixão que pareciam caracterizar muitos dos meus colegas agentes da polícia. Conceitos que eu considerava estereotipados eram, muitas vezes, desmentidos por atos de bondade: um jovem policial fazendo respiração boca-a-boca num imundo mendigo, um veterano grisalho levando sacos de doces para as crianças dos guetos, um agente oferecendo a uma família abandonada dinheiro que provavelmente não voltaria a reaver.

Em conseqüência de tudo isso, cheguei a humilhante conclusão de que tinha uma capacidade bastante limitada para suportar toda a tensão a que estava sujeito. Recordo em particular certa noite, em que o longo e difícil turno terminara com uma perseguição a um carro roubado. Quando largamos o serviço, eu me sentia cansado e nervoso. Com meu colega, estava me dirigindo para um restaurante a fim de comer qualquer coisa, quando ouvimos o som de vidros que se partiam, proveniente de uma igreja próxima, e vimos dois adolescentes cabeludos fugindo do local. Nós os alcançamos e pedi a um deles que se identificasse. Ele me olhou com desprezo, xingou-me e virou as costas com intenção de se afastar. Não me lembro do que senti. Só sei que o agarrei pela camisa, colei seu nariz bem no meu e rosnei: “Estou falando com você, seu cretino!”

Então meu colega me tocou no ombro, e ouvi sua confortante voz me chamando à razão: “Calma, companheiro!” Larguei o adolescente e fiquei em silêncio durante alguns segundos. Depois me recordei de uma das minhas lições, na qual dissera aos alunos: “O sujeito que não é capaz de manter completo domínio sobre suas emoções, em todas as circunstâncias, não serve para policial”.

Desafio complicado. Muitas vezes perguntara a mim próprio: “Por que uma pessoa quer ser policial?” Ninguém está interessado em dar conselhos a uma família com problemas às três da madrugada de um domingo, ou em entrar às escuras num edifício que foi assaltado, ou em presenciar, dia após dia, a pobreza, os desequilíbrios mentais, as tragédias humanas. O que faz um policial suportar o desrespeito, as restrições legais, as longas horas de serviço com baixo salário, o risco de ser assassinado ou mutilado?

A única resposta que posso dar é baseada apenas na minha curta experiência como policial. Todas as noites eu voltava para casa com um sentimento de satisfação e de ter contribuído com algo para a sociedade – coisa que nenhuma outra tarefa me havia dado até então.

Todo agente de polícia deve compreender que sua aptidão para fazer cumprir a lei, com a autoridade que ele representa, é a única “ponte” entre a civilização e o submundo dos fora-da-lei. De certo modo, essa convicção faz com que todo o resto (o desrespeito, o perigo, os aborrecimentos) mereça que se façam quaisquer sacrifícios.

Disponível em: http://www.ssp.df.gov.br/sites/100/164/00000136.pdf

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Para refletir um pouco

É fácil dizer que a polícia é corrupta, não presta. Assim como é fácil dizer que ela agiu errado em prender seu filhinho, bom menino, só porque cheirava uma carreirinha. E quando o policial aplica uma multa de trânsito por excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho, etc? Indústria da multa. Casos de pessoas reclamando em jornais que em sua rua todos os dias traficantes vendem drogas livremente são comuns. Mas se a polícia faz uma operação e prende seu familiar, amigo, comprando a droga, está errada porque deveriam prender só o traficante porque os outros são trabalhadores. E os ataques de fúria ao ser solicitado a prestar alguma informação em delegacias? O fato é que o falar mau da polícia é um discurso comum na sociedade, mas valorizar seu trabalho é uma coisa rara, pois se isso acontece, não cumprem mais que a obrigação.

Corrupção existe sim, mas há que se elogiar também o trabalho dos muitos que honram seu dever, colocando suas vidas em risco para proteger uma sociedade que não a apoia. Como no vídeo abaixo, do ex-delagado do RJ Hélio Luz, anos atrás, o questionamento a ser feito é se a sociedade quer uma polícia corrupta ou não. Se não, é hora de rever valores e lutar junto com estes heróis anônimos por uma valorização da classe policial em nosso país.

 Segue carta escrita pelo PM Alex Oliveira Suzarte, policial morto no cumprimento de seu dever e que tinha o hábito de escrever poemas.

“Enquanto todos dormem”

“Enquanto todos dormem eu estou em lugares inimagináveis, mata-gais intransponíveis, bueiros Fétidos, casas abandonadas entre outros lugares que alguém normal se recusaria a ir.
Enquanto todos dormem eu estou em alerta máximo, tentando não apenas defender pessoas que nunca vi nem mesmo conheço, mas também tentando sobreviver.
Enquanto todos dormem no aconchego de suas casas, debaixo dos cobertores, eu estou nas ruas debaixo da forte chuva, com frio e cansado madrugada a dentro.
Enquanto todos dormem eu estou travestido de herói, e mesmo não tendo super-poderes estou pronto para enfrentar o perigo, para desafiar a morte e quiçá sobreviver.
Enquanto todos dormem estou dividido entre o medo da morte e a árdua missão de fazer segurança pública;
Enquanto todos dormem eu sonho acordado com um futuro melhor, com o devido respeito, com um salário justo com dias de paz, mas principalmente com o momento de voltar para casa e de olhar minha esposa e filhos e dizer-lhes que foi difícil sobreviver a noite anterior, que foi cansativo e até frustrante, mas que estou de volta, e que tenho por eles o maior amor do mundo.

Este texto eu dedico a todos os policiais que como eu só desejam voltar para casa vivo.”

Ser policial é uma vocação. E para poucos.

Links:

Hélio Luz completo: http://www.youtube.com/watch?v=eW1y3fmWDqw&feature=related

CartaPM: http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2012/01/pm-assassinado-durante-servico-em-mt-revelou-medo-da-morte-em-carta.html

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Cap. Nascimento, patrulha a USP!

Cadê os “revolucionários” da USP para protestar por mais segurança? Ah, devem estar preparando seus cigarrinhos… O pior é que alguns destes grandes rebeldes provavelmente serão o futuro político do nosso país. Ao invés de combater a corrupção, lutar pelo desenvolvimento do nosso país, etc, se preocupam em se livrar dessa polícia filha da ditadura que não nos deixa fumar maconha (droga ILÍCITA no Brasil).

Marcha da Maconha tá mais importante que Marcha contra a Corrupção… Cap. Nascimento, enquadra esse povo!!!

USP, 07/03/2012

Bancário é sequestrado na USP e mantido preso em porta-malas

Ele foi localizado por policiais civis após prisão de suspeitos em shopping.
Criminosos faziam compras com cartões da vítima, que estava algemada.

Do G1 SP

O chefe de serviços de um banco foi sequestrado na manhã desta quarta-feira (7) por dois homens e um adolescente perto do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, Zona Oeste de São Paulo.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/03/bancario-e-sequestrado-na-usp-e-mantido-preso-em-porta-malas.html

USP, 27/10/2011

Estudantes ocupam prédio da USP e pedem fim da PM no campus

A ocupação aconteceu na quinta-feira (27) à noite. Três alunos foram flagrados preparando cigarros de maconha e seriam levados para a delegacia, quando um grupo de 150 estudantes cercou a viatura.

Um grupo de estudantes ocupa, desde nesta quinta-feira (27), um dos prédios da Universidade de São Paulo. Os alunos entraram em confronto com policiais e agora exigem o fim das rondas da PM no campus para deixar o local.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/10/estudantes-ocupam-predio-da-usp-e-pedem-fim-da-pm-no-campus.html

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Carpool em faixa exclusiva

A EPTG está um pesadelo crescente a cada dia. Se não bastasse, agora possui a tal “faixa exclusiva para ônibus”. A idéia desta faixa é realmente boa, mas quando se tem um transporte público de qualidade. Os ônibus não estão adaptados para a faixa exclusiva (a porta fica do lado contrário das paradas), então somente ônibus expressos transitam na faixa, o que não são muitos. Aliado a isso temos ônibus sucateados e desconfortáveis. Eu pelo menos não trocaria o conforto (e stress) do meu carro para enfrentar estes ônibus.

Ainda que táxis e ônibus escolares possam utilizar esta faixa, elas ainda continuam vazias em relação às demais, o que é uma tentação e um perigo para o bolso, pois agora estão multando os carros (corretamente, pois apesar de não gostar, o respeito à faixa é uma norma). Mas é revoltante ver que realmente não temos ônibus, evidenciado por esta faixa vazia, e enquanto isso, eu fico preso em um congestionamento infernal (salvo pelo ar-condicionado neste calor.)

 Bem, mas essa situação me fez lembrar algumas rodovias em que viajei nos EUA. Lá, além dos ônibus, também podem circular pela faixa os chamados carpool, ou HOV (High Occupancy Vehicle). Carpool nada mais é do que o carro particular com mais de dois ou três ocupantes, dependendo das leis do estado, durante certos períodos do dia (horários de pico).

Será que não poderia ser uma forma de distribuir melhor o trânsito? Pelo que vejo, a maioria dos carros que circulam na EPTG só tem um ocupante. Com a adoção do sistema do carpool, por exemplo, com mais de dois ocupantes, o motorista do carro que preenchesse este requisito possivelmente optaria pela faixa exclusiva, além de ser um incentivo para que as pessoas procurem não andar sozinhas nos carros para aproveitar este benefício, o que melhoraria o fluxo de veículos em todas as demais faixas e ainda ajudaria o meio ambiente com a redução da emissão de gás carbônico, entre outras coisas. Claro que a fiscalização deveria ser intensificada e os motoristas deveriam ser conscientizados a respeitar os requisitos para o tráfego nas faixas exclusivas, evitando os “espertos”, mas não é impossível, vide faixa de pedestre e cinto de segurança.

Não creio que em breve teremos ônibus de qualidade e em número suficiente para que as pessoas troquem o carro pelo transporte público. Então, é válido pensar em medidas para descongestionar o trânsito e acho que sistemas como o carpool seriam de grande ajuda para melhorar o fluxo e a distribuição nas faixas. Quer aproveitar a faixa exclusiva vazia e que quase não tem ônibus? Leve um amigo e ainda divida a Gasolina!

Acho que assim é melhor que o rodízio de carros, pois prefiro utilizar meu carro quando eu quiser.  Não sei se este sistema já é utilizado no Brasil, mas a situação na ETPG e também em todo o DF e entorno está insuportável!

Quem for contra, tiver outras considerações e sugestões, sinta-se a vontade para comentar.

Para informações sobre carpool: http://www.ehow.com/about_5467287_carpool-lane-rules.html (Carpool Lane Rules)

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E assim caminha a imprensa

Vejam a reportagem abaixo:

“A delegada da Mulher, Lívia Veloso, discutiu com o apresentador Jonas Batista ao vivo durante o Cidade em Ação desta quinta-feira (1). Eles falavam a respeito do assassinato da jovem Juliana, morta pelo ex-marido por motivos de ciúme.”

O que não precisamos em nosso país é este tipo de imprensa sensacionalista, que não procura a verdade dos fatos, divulgam notícias de forma incompetente, sem especialista, e pioram a imagem dos nossos órgãos de segurança pública que já sofrem com sucateamento, falta de pessoal, leis defasadas e deficitárias, etc.

“Nós exercemos o que é o papel da imprensa” (7:35’). Senhor Jonas Batista, tá na hora de você rever seus conceitos sobre o papel da imprensa. Que tal apurar o fato desta delegada estar 40 dias sem escrivão, da delegacia não dispor de casa abrigo, ou melhor, procurar entender alguma coisa sobre leis e inquérito policial. Veja os casos em que uma pessoa pode ser presa. E, ao invés de ficar falando m… na TV, use seu programa para instruir a população a como agir e como procurar as autoridades para que casos como este não se repitam.

E parabéns a delegada Lívia Veloso por entrar ao vivo e cobrar mais ética destes jornalistas.

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E tudo acaba em…. peixada

Que beleza, assumir uma pasta de um Ministério em que não se entende nada! Ministro agora é um estagiário de luxo. Será que no Brasil, país com tanta gente, não há pessoas mais qualificadas para o Ministério da Pesca e Agricultura? E tome peixe para a bancada evangélica ficar feliz…

Era melhor o Guma (Porto dos Milagres)

Novo ministro da Pesca, Crivella diz à rádio que não sabe “nem colocar uma minhoca no anzol”

Recém nomeado novo ministro da Pesca, o senador Marcelo Crivella (PRB) disse na manhã desta quinta-feira (1º) em entrevista à rádio Estadão/ESPN que seus conhecimentos sobre o assunto da pasta são nulos. “Nem sei colocar uma minhoca no anzol”, afirmou ao ser questionado se tinha experiência na pesca.

O ministro classificou sua nova função como um aprendizado. “Eu preciso aprender muito. Conheço um pouquinho na teoria e muito menos na prática. Vai ser mesmo um intensivão”, disse.

No entanto, Crivella ressaltou sua experiência com relação ao que chamou de “espírito público”. “Espírito público, político, de saber como as coisas caminham, resolver as controvérsias, eu diria sossegar as vaidades e egos, isso eu tenho boa experiência”, declarou.

A nomeação de Crivella para o ministério da Pesca foi anunciada nesta quarta-feira (29) pela presidente Dilma Rousseff, em substituição a Luiz Sérgio (PT-RJ), que retomará sua cadeira de deputado conquistada na eleição de 2010. O novo ministro assume o cargo nesta sexta-feira (2).

Em nota oficial, Dilma disse que “a mudança permite a incorporação ao gabinete de um importante partido aliado do governo” e destacou a “valiosa contribuição” prestada por Luiz Sérgio ao governo durante sua gestão.

Disponível em: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/03/01/nem-sei-colocar-uma-minhoca-no-anzol-diz-novo-ministro-da-pesca.htm

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O Acre existe e também é brasileiro

Confesso que ultimamente não acompanho muitas notícias na televisão e nem na internet, pois a prioridade é o estudo para o projeto APF 2012. Porém, mesmo sem me aprofundar no assunto, vi a total falta de compromisso da imprensa nacional quanto à situação do Acre. Tudo bem que as notícias sempre aparecem no noticiário, porém, não com a intensidade e com o apelo ao resto país para ajudar o Acre quanto pode ser observado em tragédias recentes como no Rio e em Santa Catarina, mesmo a situação acreana sendo proporcionalmente mais grave que a destes outros estados. Para os que desejam entrar na PF, o Acre poderá ser um dos possíveis destinos. Será que este estado não merecia ser tratado pela imprensa nacional da mesma forma que outros com mais destaque no cenário nacional? O Brasil é um país continental, olhemos para todos os nossos irmãos.

Da seca ao dilúvio, desastres no Acre são ignorados pelo Brasil

Se São Paulo, a maior cidade do Brasil, tivesse sido fundada às margens do rio Acre e não do Tietê/Pinheiros, neste momento pelo menos quatro milhões dos seus 11 milhões de habitantes estariam fora das suas casas ou tendo que conviver com a água dentro delas. Seria uma tragédia de dimensão internacional.

Rio Branco está vivendo quase em silêncio — e com pouco interesse nacional ou mesmo regional — essa situação. As águas do rio Acre quase se nivelaram ao recorde da cheia de 1997. A diferença é insignificante: um centímetro.

Com um agravante inédito: em agosto do ano passado o rio sofreu a sua seca mais crítica. A lâmina d’água era de 1,57 metros, bem abaixo da menor marca até então, a da grande seca amazônica de 2005, quando o nível ainda foi a 1,64 metros.

De agosto de 2011 até dois dias atrás o crescimento do rio Acre foi de mais de 10 vezes: chegou a 17,65 metros. Subiu, portanto, 16 metros (o equivalente a um prédio de cinco andares), espraiando-se por grande parte do perímetro urbano e causando todo tipo de prejuízo.

Quase 15% da cidade ficaram às escuras, o que significaria deixar mais de um milhão e meio de paulistanos sem luz por dias seguidos para evitar acidentes com fios eletrificados, que costumam matar os desatentos.

Os efeitos são ainda mais sentidos porque a capital abriga quase metade dos 750 mil habitantes do Acre e a maior parcela da riqueza do Estado, dois terços dela baseadas em serviços.

Mas o Acre está muito longe do foco da opinião pública brasileira para que a gravidade da cheia possa sensibilizar e mobilizar a solidariedade nacional — menos ainda, a oficial.

Se os brasileiros não sabem o que acontece do outro lado do país, os que lá estão nem sempre costumam estar próximos para a ajuda. Os recursos designados pelo governo local equiparam-se ao que foi gasto no carnaval, quando, literalmente, as águas rolaram.

O Acre responde por 0,2% do PIB brasileiro. E só é brasileiro há pouco mais de um século. Em 1904 o barão do Rio Branco, patrono da diplomacia verde-amarela, comprou os 252 mil quilômetros quadrados que pertenciam à Bolívia para encerrar a guerra liderada pelo gaúcho Plácido de Castro pela emancipação desse território, que já era brasileiro de fato.

O Acre é tão longínquo que o presidente Evo Morales se concedeu o direito de ironizar a pacificação da zona conflagrada feita pelo barão, o primeiro dos grandes e ainda o maior diplomata do Brasil. Disse que compramos o Acre pelo preço de um cavalo, ou menos.

O governo brasileiro não contestou o humor negro do presidente Morales, que violentou todas as versões do fato histórico. Parece que os falsos estadistas de hoje consideram que ficar o Acre não foi um bom negócio.

Não foi pouca terra como pode parecer a que compramos. O Acre se tornou o 16º maior Estado brasileiro, com 11 unidades federativas abaixo de sua grandeza física, o Distrito Federal no meio.

Mas sua população é menos de 0,4% da soma dos brasileiros e sua riqueza, a metade desse valor. Ou seja: do físico ao econômico, passando pelo social, o Acre cai na hierarquia de valores. Quase sai da lista.

Torna-se um produto exótico quando se constata que são muitos os que conhecem Chico Mendes e Marina Silva, sem atentar, contudo, para o contexto que lhes deu origem. Sabem deles sem entendê-los.

É a marca da relação da metrópole com a colônia, do centro com a periferia. O que conta é o polo dominante. O resto é derivativo. That’s all folk, como apregoa a abertura das fitas de desenho animado do Pica-Pau.

Ir — em menos de um ano — de um extremo de estiagem a outro extremo de inundação dá uma medida do que é a Amazônia, região configurada pela maior bacia hidrográfica do planeta. O elemento definidor dessa paisagem é a água. Não “a água” genericamente falando, como cenário decorativo. É a água enquanto protagonista. É assim há milênios. Mas pode deixar de ser assim.

Não que a transformação seja súbita ou possa ser prontamente diagnosticada com o surgimento de acontecimentos excepcionais, como sendo hecatombes e dilúvios.

Para minimizar a cheia acreana atual alguém lembrou que as tropas de Plácido de Castro atravessaram o rio Acre a cavalo, em algum ponto onde agora está Rio Branco (o rio Branco, aliás, fica no outro extremo da Amazônia, em Roraima, banhando Boa Vista, a confundir ainda mais os estudantes de geografia e história).

É verdade: outras cheias ou secas monumentais já existiram antes. O que parece novo é a frequência com que elas estão se repetindo, amiudando-se. Pode não ser uma catástrofe inevitável, mas certamente será uma catástrofe se os sinais de alerta forem ignorados.

A maioria das cidades surgiu à beira de um rio. Mas na Amazônia a dimensão da hidrografia requer atenção especial. Qualquer mudança mais significativa deve ser considerada e bem estudada para que o homem se adapte da melhor maneira à natureza.

Não tem sido esta a regra de procedimento. Muito pelo contrário: o homem segue seu caminho, na busca de novas fontes de riqueza, e vai mudando o que encontra pelo caminho. Acaba com as indispensáveis matas ciliares (que serão podadas ainda mais pelo pretendido novo Código anti-Florestal), dá fim à proteção vegetal das encostas, troca a densa mata nativa por precária pastagem — e assim segue a cornucópia da destruição.

Na Amazônia (e na Terra em geral) há o efeito bumerangue. Se lança-se a agressão, ela retornará contra quem a lançou. Os desmatamentos indiscriminados terão eco. É só acompanhar seu rastro.

As cheias começaram neste ano mais cedo. Não apenas no Acre: em toda a Amazônia. Um observador superficial pode contrapor outro fato a esse: também o refluxo começou mais cedo, já que o rio Acre apresentou ligeira baixa nos últimos dois dias.

Esse movimento, porém, pode ser ilusório. Ele antecede um novo movimento de enchimento. Por isso os moradores das áreas atingidas pela subida e descida das águas, que tem ciclo semestral no interior da região, ficam atentos e apreensivos. É muito cedo para comemorar.

Na Amazônia de vastas distâncias e grandezas continentais, a natureza ainda é a personagem principal. Mesmo que seja para desfazer, em muito menos tempo, o que fez durante largos períodos, quando o homem não era a hipótese em que se tornou. Improvável, aliás.

(Por Lúcio Flávio Pinto, Cartas da Amazônia / Blog do Altino Machado, 29/02/2012)

Disponível em: http://ambienteja.info/ver_cliente.asp?id=175283

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